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Além das fronteiras do Piauí

 

piaui

Uma coleção de objetos de artesãos de Várzea Queimada, no interior do Piauí, ultrapassou as fronteiras do país para aportar em Milão, cidade conhecida pela sofisticação. São 24 peças  feitas de borracha e palha, desenvolvidas por cerca de 60 homens e mulheres que, tradicionalmente, faziam produtos para vender em pequenas feiras locais. Eles participaram do  projeto “A gente transforma” (AGT), idealizado pelo designer paulista Marcelo Rosenbaum, com o objetivo de desenvolver pequenos artesãos e o empreendedorismo. No próximo dia  17, os artesãos do município piauiense terão suas peças exibidas na mostra Fronteiras, exposição realizada na Itália que reúne peças produzidas pelo mundo.

A ideia é dar visibilidade aos produtos para o mercado, já que no evento há compradores de várias marcas. — Vamos fazer o lançamento das peças lá e mostrar para o consumidor. É  possível que os artesãos já tenham encomendas depois da mostra. — contou Rosembaun. Antônia Dilma de Barros, 37 anos, mal pode esperar pelas encomendas. Acostumada a vender  as esteiras nas feiras das cidades vizinhas, ela ganhava, por semana, cerca de R$ 40. Agora, sonha em receber um salário por mês. Junto com as mulheres e homens artesãos  de Várzea Queimada, ela fundou a Associação Juntos somos fortes. Com CNPJ recém tirado, ela diz que a capacidade de produção é suficiente para atender a demanda de novas encomendas. —  Trabalhamos diariamente e somos muitos. Estamos esperando, agora, as encomendas — contou Antônia, que participou das oficinas realizadas pela equipe de designers de Rosenbaum  e da capacitação de empreendedorismo do Sebrae.

As oficinas foram uma espécie de laboratório de desenho para os artesãos. Em parceria com os profissionais convidados por Rosenbaum, eles desenvolveram uma coleção com 12  utilitários e assessórios de palha e 12 jóias de borracha. A proposta era estudar como as peças produzidas poderiam ser mais atrativas para o mercado. Uma dessas peças foi o bogoió, espécie de balaio. Depois do redesenho, o que era usado para botar legumes e verduras se tornou uma bela peça de decoração. — O cesto sempre foi feito por mulheres. Sempre foi  igual: alto, bojudo e com a boca grande. Geralmente fica no canto das casas — contou Antônia.

Desde pequena ela se habituou a passar as tardes trançando bogoiós com a mãe e outras mulheres. E nunca imaginou que uma peça tão corriqueira  na comunidade onde mora poderia ganhar espaço nobre em residências na cidade. O bogoió que será exposto foi redesenhado pelas 46 artesãs,  junto com designers convidados por Rosenbaum. O novo produto é feito  de fitas largas trançadas de palha clara e tem alças estilizadas. Segundo Marcelo Rosenbaum, o balaio é o exemplo do  resultado esperado no projeto. — Queremos valorizar os produtos  que contam a história local. No caso do bogoió, tratase de uma balaio feito por gerações de mulheres que está em toda a casa da região. Isso tem valor — contou o designer,  que vai levar para a feira chapéus, luminárias e jóias de borracha Para Rosenbaum, que contou com a parceria de algumas empresas para conseguir bancar o projeto, estimado de R$  1,8 milhões, a iniciativa é o braço social do seu escritório. — Buscamos aproximar os artesãos do mercado, capacitando- os para produzir peças mais vendáveis. Já tínhamos feito um  projeto semelhante na comunidade do Capão Redondo em São Paulo. Deu certo e resolvemos ampliar.

Segundo Rosa de Viterbo, Gestora de Artesanato do Sebrae Piauí, o AGT vem suprir uma lacuna dos projetos sociais já desenvolvidos: — Ele respeita a cultura local  e sofistica o que já existe. É uma proposta diferente, pois tem uma visão de mercado.

Fonte: O Globo/ Razão Social/ Reportagem: Martha Neiva Moreira/ Foto de Divulgação

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